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Unidade 1


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Introdução

Caro(a) estudante, quando pensamos em criatividade e inovação, logo nos lembramos dos artistas e das áreas de artes plásticas, artes cênicas, publicidade, propaganda etc.

Dito isso, qual é o sentido de estudar um tema tão específico, considerando que a criatividade é um soft skill (habilidade), e não um hard skill (competência), ou capacitações técnicas? Pois esse é exatamente o ponto que queremos abordar. A criatividade é uma metodologia, uma habilidade exigida em todos os mercados. Assim, é importante que você a compreenda por meio de cursos como este que apresentamos agora.

Bons estudos!

A Criatividade e a Inovação – Cultura e Gestão da Inovação

Sempre ouvimos falar de criatividade e de inovação, mas nada comparado aos dias de hoje. Vivemos em um mundo em constante transformação, em que paradigmas são quebrados a todo minuto. O que antes era considerado “normal”, hoje parece “absurdo”. Assim, devemos entender os caminhos que decidimos trilhar, tentando sempre inovar. Quando o caminho se torna difícil, é necessário torná-lo mais fácil e melhor. Mas, se ele já for bom, que tal torná-lo ótimo?

Conceito de Criatividade

Quando analisamos o conceito de criatividade, encontramos no dicionário algo como “qualidade da pessoa criativa, de quem tem capacidade, inteligência e talento para criar, inventar ou fazer inovações na área em que atua; originalidade, capacidade de inventar, de criar, de compor a partir da imaginação” (CRIATIVIDADE..., [2020], on-line).

A partir desse pressuposto, temos a criatividade artística, pessoas geniais que, de alguma maneira, ultrapassam a fronteira do usual, do banal, sobressaindo-se em relação à ampla maioria comum. Isso nos leva a pensar em indivíduos que criam e inovam, por exemplo, alguém como Picasso, nas artes plásticas, ou Washington Olivetto, na publicidade, ou quem sabe Lady Gaga, no âmbito da música e das artes cênicas. Mas por que não pensamos também no gestor da empresa em que queremos trabalhar ou no CEO de um banco de investimentos?

Primeiramente, devemos desmistificar algumas ideias relacionadas à criatividade.

De acordo com Monteiro Jr. (2011), o psicólogo norte-americano Mel Rhodes foi um dos primeiros especialistas a perceber que a criatividade não diz respeito somente ao indivíduo, mas também à interação com o meio ambiente. “Surgia assim, em 1961, o modelo das quatro dimensões da criatividade: pessoa, produto, processo e ambiente (pressão)” (MONTEIRO JR., 2011, p. 7).

A criatividade não é nem deve ser vista como uma habilidade, um dom. Também não é necessário ser genial para ser criativo. A criatividade quebra paradigmas, mas nem sempre existe disruptura. Além disso, as boas ideias não nascem do nada; criatividade e inovação só são sinônimos no dicionário. Nesse sentido, a criatividade se dá no processo de formação de novas ideias; já a inovação é a metodologia de implementação dessas novas ideias, de acordo com as leis vigentes.

De maneira geral, por que percebemos que a criatividade flui melhor na infância? Talvez pelo simples fato de que as crianças não se importam se suas ações estão sendo julgadas ou não pelos outros. Na infância, estamos interessados em brincar, em transformar as coisas ao nosso redor, tornando o mundo mais atraente e relevante.

Figura 1.1 - A criatividade no mundo da infância
Fonte: Acervo pessoal da autora.

Devemos falar também que existem limites para que coloquemos nossa criatividade em ação, por exemplo: a verba que temos para gastar; a pressão ao nosso redor etc. As pessoas criativas não precisam ser necessariamente exóticas ou extravagantes, muito menos gênios solitários. Por fim, a criatividade está em toda parte, não apenas em empresas de alta tecnologia ou agências publicitárias.  

No geral, as pessoas criativas são mais curiosas, mais vorazes por qualquer tipo de leitura, nem que seja a bula de remédio. Por outro lado, sabemos que alguns obstáculos afetam o poder de desenvolver grandes ideias. A seguir, vamos analisar esses empecilhos.

As Principais Barreiras que Afetam a Criatividade

Em sociedades conservadoras, há a tendência de proteger as tradições e de limitar a quebra de paradigmas, dando maior ênfase a projetos já existentes. Imagine-se trabalhando em uma empresa onde o lema é o seguinte: “Não se mexe em time que está ganhando”. Qual é a vantagem de ser uma pessoa criativa nesse contexto? Portanto, se você deseja ser inovador, não procure lugares “engessados” para a formação e o desenvolvimento de sua carreira.

Ainda, se você deseja atuar com criatividade, não se preocupe com detalhes excessivos no processo de geração de novas ideias. Além disso, não tenha grande dependência de outras pessoas, mas lembre-se: o trabalho em grupo, mesmo que seja virtual, a distância, pode trazer ótimos resultados.

A criatividade não pode ser inibida por aquilo que os outros pensam ou pensarão sobre você, ou seja, não tenha medo de ser quem você é. Steve Jobs, fundador da Apple, não seria o que foi se tivesse medo do que as pessoas pensariam sobre ele.

No fim do ano passado, do outro lado do planeta, uma pandemia tomou conta das nossas vidas, a chamada Covid-19. Esse fato fez com que todos nós tivéssemos de nos reinventar. As pessoas com mais criatividade, que exercem mais esse skill, saíram na frente, com mais vantagem. O que fazer e como?

A criatividade está sendo abordada aqui como algo que se aprende, que podemos desenvolver. Para tanto, existem técnicas para nos tornarmos pessoas mais criativas. A seguir, continuaremos a enumerar as barreiras que podem atrapalhar nosso desenvolvimento criativo.

Assim como citamos o medo de receber críticas e a preocupação excessiva com detalhes, a satisfação e a rejeição prematuras podem ser barreiras à criatividade. Dessa forma, não se dê por satisfeito de imediato. Também não desista de cara. Procure analisar o que mais poderia ser feito para que algo que você esteja desenvolvendo seja bem-recebido.

Durante o processo criativo, podemos até deixar que a motivação em excesso trabalhe, pois, dessa maneira, esgotamos todas as possibilidades. No entanto, no momento da gestão da inovação, muitas vezes o lema less is more (“menos é mais”) funciona perfeitamente bem.

Figura 1.2 - Barreiras que afetam a criatividade
Fonte: Zackery Blanton / 123RF.

Lembre-se de que, segundo Picasso, o maior inimigo da criatividade é o bom senso. Neste momento, então, pedimos que você, aluno(a), tente dissolver alguns pré-conceitos e aproveite a chance de “não ter bom senso”.

O Conceito de Inovação

Não é de hoje que muitas pessoas confundem criatividade com inovação. São conceitos diferentes que se integram. Segundo o Dicionário Online de Português, a palavra “inovação” significa “ação ou efeito de inovar, novidade; aquilo que é novo; o que apareceu recentemente” (INOVAÇÃO…, [2020], on-line).

Outra confusão é que de, certa maneira, somos levados a pensar que a inovação está ligada necessariamente a tecnologias eletrônicas e digitais. No entanto, o simples fato de lecionar “fora” dos padrões tradicionais, por exemplo, faz com que você inove na maneira por meio da qual os alunos aprendem.

De certo modo, a criatividade diz respeito a pensar coisas novas. Por sua vez, a inovação significa fazer coisas novas, está ligada à execução de um novo produto, ou até mesmo a melhorar o que já existe (serviços, processos de trabalho, relacionamentos entre pessoas, grupos, empresas etc.).

Soft ou Hard Skills no Mundo Corporativo

Quando nos imaginamos no mundo corporativo, temos algumas fases pelas quais devemos passar. Uma delas é alcançar a posição tão almejada no mercado. Para tal, é necessário ter uma boa rede de contatos, além de inúmeras soft e hard skills (habilidades e competências). Essa rede de relacionamentos profissionais não deve estar vinculada a amizades, à família, mas ao posicionamento profissional. Uma boa ferramenta a ser utilizada é o LinkedIn, rede social em que podemos encontrar pessoas de RH ou empresas que estejam buscando novos profissionais. Faça uma breve pesquisa e veja quantos desses recrutadores exigem ou pedem um perfil mais arrojado, diferente do tradicional.  

Criatividade e seus Cenários Sociais, Econômicos e Culturais

Em meio à pandemia da Covid-19, encontramos vários gestores, headhunters e gerentes de RH em busca de perfis profissionais distintos dos tradicionais. Se você utiliza a rede social LinkedIn, já deve ter percebido que esses profissionais estão procurando pessoas que tenham soft skills diferenciados, ou seja, indivíduos que possuem criatividade e agreguem inovação à empresa contratante.

A busca por uma posição profissional de destaque faz com que tenhamos de nos sobressair de alguma maneira, a fim de competir com mais vantagem com outros candidatos à vaga. Muitas vezes, o que precisamos é de uma soft skill, de uma habilidade comportamental mais apurada. Assim, devemos estar conscientes de que a criatividade, a colaboração, a prestabilidade e a inteligência emocional são fatores que pesam na balança na hora da contratação.

FIQUE POR DENTRO

De onde vêm as Boas Ideias

Steven Johnson fala, em uma rápida palestra, como as boas ideias não surgem do nada, de repente.

Fique por dentro, assista à palestra clicando no link disponível a seguir.

https://www.ted.com/talks/steven_johnson_where_good_ideas_come_from?utm_campaign=tedspread&utm_medium=referral&utm_source=tedcomshare.

Apesar de usarmos a criatividade nas pequenas coisas, é no dia a dia que necessitamos estar mais atentos a isso. Saber utilizar a criatividade nos diferentes momentos faz toda a diferença.

O engessamento profissional pode e deve ser contornado. Porém, somos moldados pelo sistema de educação tradicional, aprendemos a escrever em cima da linha, da esquerda para a direita, e a pintar dentro do desenho, em uma folha de papel branco A4. Não é que o sistema de educação tradicional esteja errado, as crianças realmente precisam desenvolver e treinar sua capacidade motora fina, mas o que se faz pela criatividade? Quantos educadores estão dispostos a deixar de lado as bases estruturais para aflorar um pouco mais a criatividade?

SAIBA MAIS

Jobs, O Filme

Steve Jobs, fundador da Apple, era uma pessoa que não ligava para as críticas alheias. Dentro da garagem da casa de seus pais, juntamente com o amigo Steve Wozniak, outro gênio da tecnologia, conseguiu o que muita gente tenta com afinco, mas não triunfa. Apesar de duramente criticado, empreendeu sem descanso até criar a Apple. Ainda, como sócio-fundador da empresa, sofreu um terrível golpe da diretoria, que o destituiu da presidência e da própria organização, e ainda assim não baixou a cabeça. Saiba mais no link a seguir.

https://youtu.be/dopotPwV_ac.

Segundo Bruno-Faria, Vargas e Martinez (2013, p. 84),

as instituições escolares, em função de seu papel social e histórico de transmissão cultural, constituem-se em um tipo de organização, quando comparadas com organizações produtivas ou de outros tipos de serviço, que têm uma menor dependência dos processos criativos e inovadores para o cumprimento de seus objetivos, sua manutenção e seu crescimento.

Ainda de acordo com esses autores, a privatização da educação vem sendo acompanhada por inovações que quase não existem na rede pública. Muitas vezes, em função do quadro social, os próprios pais não exigem que essas mudanças sejam aplicadas às escolas de seus filhos, simplesmente por não conhecerem outras opções.

Apesar disso, emergem escolas que tentam implementar mudanças sistêmicas significativas no processo educativo, reorientando a estrutura da escola para uma educação mais efetiva e integral. Ainda, podemos observar que:

essas mudanças originam-se de processos criativos e inovadores que, pela sua singularidade e diversidade, podem contribuir para avançar na compreensão das possibilidades e dos limites das mudanças que podem efetivamente acontecer nessa instituição social que é a escola (BRUNO-FARIA; VARGAS; MARTINEZ, 2013, p. 85).

Somos capazes de identificar a criatividade desde os tempos mais remotos, mas nem sempre a criatividade esteve atrelada aos procedimentos do mundo profissional. Dentro do contexto atual, enxergamos que as pessoas com maior domínio da criatividade são as que podem ser os melhores profissionais. Mas, novamente, para ser criativo, precisamos ser artistas ou gênios da tecnologia?

Faça uma breve pesquisa e veja quantos alunos com poucos recursos e muita criatividade conseguiram desenvolver excelentes produtos ou serviços ao redor do mundo. Todos eles com a mesma capacidade que você tem e com grandes desafios. Você vai descobrir como a criatividade pode salvar vidas ou mesmo ajudar na sustentabilidade do planeta. Com ela, podemos criar nossa própria coleção de roupas em uma pequena impressora 3D, por exemplo.

Figura 1.3 - A tecnologia a serviço da indústria: roupas e próteses em impressora 3D  
Fonte: Andrey Suslov / 123RF.

A criatividade nem sempre está ligada às artes, à inovação ou à tecnologia digital. Ser criativo na psicologia, por exemplo, é saber utilizar recursos para que se consiga estabilizar-se emocionalmente. Nas ruas, por outro lado, é saber vender balas no farol, de forma inusitada.

SAIBA MAIS

Roupas em 3D | Danit Peleg

Danit Peleg, estudante israelense, desenvolveu uma coleção de roupas totalmente feita em impressora 3D, de modo que você possa viajar sem levar malas de roupas. Saiba mais no link a seguir.

https://www.ted.com/talks/danit_peleg_forget_shopping_soon_you_ll_download_your_new_clothes?utm_campaign=tedspread&utm_medium=referral&utm_source=tedcomshare.

Temos também a iniciativa de hospitais no Brasil que utilizam o método canguru, segundo Colameo e Rea (2006, p. 598):

O Método Mãe Canguru é uma forma de atenção que incentiva e valoriza a presença e a participação da mãe e da família na unidade neonatal. Tem um papel importante para assegurar a saúde do bebê de baixo peso após a alta hospitalar, tanto pela oportunidade de fortalecimento do vínculo afetivo que oferece, como pelas altas taxas de amamentação que proporciona.

Esse método nada mais é do que deixar o bebê ligeiramente vestido, em contato com a mãe “pele com pele”, para que ela possa amamentá-lo e, assim, favorecer o ganho de peso pelo bebê. É uma espécie de final de gravidez extracorpórea, com controle ambulatorial, podendo-se substituir a incubadora normal por uma fonte de calor humana. Um projeto criado por médicos e um exemplo de inovação que não precisa necessariamente de tecnologia.

Como Aplicar o Pensamento Criativo

Apesar de sabermos que a criatividade é uma das skills mais buscadas na atualidade, diversas vezes ficamos sem saber como aplicá-la no dia a dia. Algumas empresas traduzem o pensamento criativo no cotidiano. O não engessamento faz com que as organizações possam crescer exponencialmente.

A Necessidade e a Aplicabilidade no Cenário em Expansão Exponencial

Ismail, Malone e Geest (2018) afirmam que as empresas disruptivas alcançam o sucesso dez vezes mais rápido que as organizações tradicionais, isso por conta da criatividade e da inovação. Nesse sentido, as empresas que possuem uma estrutura e um sistema hierárquico mais rígidos correm o risco de ficarem para trás.

Por aproximadamente seis anos, esses autores analisaram o funcionamento de grandes empresas, tais como Waze, Tesla, Airbnb, Uber, Xiaomi, Netflix, Google (Venture), Coca-Cola, Amazon, entre outras, além de entrevistarem líderes globais, pesquisadores e estudiosos do assunto. Assim, puderam chegar a uma análise sobre as tendências organizacionais e tecnológicas que são utilizadas em startups na atualidade, além de empresas de médio e grande porte. De acordo com os autores,

forças muito potentes estão surgindo no mundo – tecnologias exponenciais, o inovador DIY (“faça você mesmo”), crowdfunding, crowdsourcing e o rising billion (“o bilhão emergente”) – que nos darão o poder de resolver muitos dos maiores desafios do mundo e o potencial para atender às necessidades de todos os homens, mulheres e crianças nas próximas duas a três décadas (ISMAIL; MALONE; GEEST, 2018, p. 9).

Esse é um exemplo de como empresas que têm a necessidade ou tendem a aplicar a criatividade alcançam mais sucesso na expansão exponencial. Vamos falar sobre a L’Oréal, empresa multinacional francesa do ramo de cosméticos. Em tempos de Covid-19, a L’Oréal aposta em solidariedade, sustentabilidade e criatividade, por meio do marketing ambiental, em vez de retomar suas vendas imediatamente.

A empresa saiu na frente com relação às concorrentes, tendo em vista a criação de uma campanha que destinou 100 milhões de euros a ações voltadas à sustentabilidade. Além disso, a L’Óreal doou 50 milhões de euros para mulheres em situação de vulnerabilidade.

Então, podemos perceber que a criatividade age de forma exponencial nas empresas. Ora, tendo em vista que a maioria do público-alvo da L’Óreal é composta por mulheres, nada mais adequado do que dar suporte a elas neste momento de pandemia. Além disso, os consumidores estão exigindo das organizações uma postura social e ambiental mais responsável. Assim, se você, aluno(a), é ou deseja futuramente ser gestor de alguma empresa, pense nisso, reflita sobre como agregar criatividade à sua gestão.

Empresários e empreendedores estão sempre em busca de produtos novos. É o desafio da sobrevivência. Mas como conciliar o lucro necessário para que a indústria permaneça viva e a inovação tecnológica? A saída parece ser a criatividade, a arte de inventar coisas novas. Atualmente, a criatividade está entre as cinco habilidades socioemocionais mais requeridas pelo mercado profissional. Segundo Montenegro (2016, p. 34):

Não é a saída e, sim, a palavra descobrir, achar, inventar, criar. [...] Portanto, é preciso descobrir e criar coisas novas. Onde se aprende isso? É uma coisa vaga, um conjunto de regras empíricas? Será uma onda, uma nova moda? Ou é uma ciência?

Não se esqueça de que a criatividade é o processo de geração de novas ideias. Já a inovação é o processo de implementá-las, de acordo com regras e leis, dentro da sociedade em que se vive.

A Criatividade Estudada Cientificamente

Já que estamos falando da criatividade como algo que se pode ensinar e aprender, devemos entender como ela pode ser estudada cientificamente, a fim de compreender como o cérebro age e potencializar essa ferramenta.

O Cérebro: Potenciais, Limitações, Bloqueios e Resistências

Quantas vezes por dia paramos para respirar de verdade? Se você não é daquelas pessoas que meditam ou fazem uma pausa no dia, então já deve ter percebido que não nos lembramos sempre de respirar corretamente. Também esquecemos que temos coração, a não ser que ele dispare ou que tenhamos alguma arritmia. E o cérebro? Nós, de maneira geral, costumamos esquecer que o cérebro faz parte do corpo. Assim, como ser criativo se não tiver cuidado com o corpo e a mente? Portanto, se possível, invista em qualidade de vida, durma a quantidade de horas necessárias, coma bem e pratique o autocuidado.

Figura 1.4 - O cérebro e a criatividade
Fonte: cienpies / 123RF.

Nosso cérebro precisa de “ginástica”, que nos faz ter um olhar diferenciado para o cotidiano, bem como um repertório mais completo.

REFLITA

A Criatividade através da Ciência

Um dos primeiros a elaborar testes no campo da criatividade foi o psicólogo norte-americano Joy Paul Guilford. Na verdade, Guilford é considerado o mentor do estudo científico da criatividade. Isso porque, em 1950, durante um discurso para a Associação Norte- Americana de Psicologia, ele chamou a atenção dos colegas para a necessidade de pesquisar o assunto. Guilford havia vasculhado os arquivos de produção científica da Associação nos últimos 23 anos e descoberto que, dos 121 mil artigos publicados, apenas 186 versavam sobre a criatividade. O discurso dele sensibilizou os psicólogos e é considerado o marco inicial da pesquisa sistemática sobre a criatividade.  

Fonte: Monteiro Jr. (2011, p. 8).

Segundo Goleman (1995, n.p.),  

diante de novas tecnologias que permitem perscrutar o cérebro e o corpo como um todo, os pesquisadores estão descobrindo detalhes fisiológicos que permitem a verificação de como diferentes tipos de emoção preparam o corpo para diferentes tipos de resposta.

De acordo com o autor, essas respostas às emoções são a chave para entender por que o sangue flui para as mãos quando estamos com raiva (e isso faz com que uma briga se torne mais fácil de acontecer) ou por que os animais se fingem de mortos quando estão com medo.

Por sua vez, a sensação de felicidade é a que inibe sentimentos negativos e preocupantes. Já o amor atua na estimulação parassimpática, o oposto de lutar ou fugir. A surpresa abre nosso olhar, fazendo com que levantemos as sobrancelhas. A sensação de repugnância é a mesma em todo mundo, com a expressão facial de que algo desagradou o olfato, real e/ou metaforicamente. Por fim, a tristeza é a sensação que nos tira a energia, no entanto, sabe-se que ela realiza o ajustamento emocional diante de uma grande perda, por exemplo.

Ainda, é necessário notar que a cultura é responsável por parte de nossos comportamentos relativos às emoções. Nas redes sociais, a vida parece mais bela do que é, e você não deve se comparar a ninguém, faça o que tem de ser feito, com muita técnica e criatividade. Às vezes, inspirar-se em alguém é muito bom, mas apenas como parte de sua inspiração. A inspiração é a maior fonte de energia da criatividade, depois da curiosidade. Com as novas tecnologias, você tem à disposição vários combustíveis para acionar sua criatividade. Passeie, viaje, assista a filmes, vá a museus, leia livros, escute podcasts etc.

Independentemente de termos toda a tecnologia ao nosso dispor, tente, vez ou outra, “enganar” o Waze. Faça caminhos diferentes, opte por olhar para “fora” da janela em vez de olhar para “dentro” do celular. O que você vê? Como você é olhado? Quando surgir uma dúvida sobre o nome do filme que você queria assistir, não pergunte ao Google, faça um esforço para se lembrar. Reúna os amigos, a família, jogue jogos de tabuleiro.

Criatividade, Comportamento e Multipotencialidade

Imaginemos por um instante que você está em uma rodada de apresentações com pessoas que nunca viu antes e precisa escolher em qual “personagem” se encaixa. Vejamos: aluno de administração? Estagiário de fintech? Filho mais novo? Namorado de alguém? Marido ou pai? Esposa ou mãe? Pintor de fim de semana? Campeão triatleta?

Wapnick (2017), escritora canadense, além de advogada, violonista, cinegrafista, blogueira, empreendedora e escritora, disse que nunca foi especialista em nenhuma dessas profissões, porém, ao mesmo tempo, tem utilizado todas elas na sua trajetória. Em seu livro “How to be everything: a guide for those who (still) don’t know what they want to be when they grow up", ainda não publicado em português, Wapnick (2017) nos traz uma visão completa sobre o assunto, que remonta aos tempos de infância, quando somos questionados acerca do que queremos ser quando crescer. Essa exigência de uniformidade e de vocação nos remete a um conceito romântico, o de aptidão única.  

Apesar de vivermos em um sistema tradicional, muitas vezes hierárquico, a autora faz questão de provar que ser multipotencial é, na verdade, um ganho nos dias atuais. Assim, em vez de nos apresentarmos como “uma tesoura sem ponta”, que não serve nem para cortar papel, que tal sermos um canivete suíço?

SAIBA MAIS

Seja um Canivete Suíço | Rafaela Cappai

Rafa Cappai se considera um canivete suíço. Até na hora de preencher cadastros em geral, ela fica confusa com relação a qual profissão escolher. E você, como se sente? Como um canivete suíço ou uma tesoura sem ponta? Saiba mais no link a seguir.

https://youtu.be/u-Ti4sTtb3Q.

A multipotencialidade faz esse papel de sentirmo-nos como um canivete suíço, sabendo que podemos dar conta de todos esses “personagens” que habitam em nosso interior. Além disso, a multipotencialidade melhora o desempenho em todas as funções, ao contrário do que se acreditava anteriormente.

A pandemia da Covid-19 nos obrigou a ter criatividade dentro de nossas próprias casas. Quantas pessoas tiveram de reorganizar seus espaços com muita criatividade para fazer dar certo o trabalho a partir de sua própria residência?

Agora, o escritório é a sala de jantar, com cadeiras e mesas nada apropriadas para tal finalidade. O happy hour é na cozinha, e a sala de TV é o espaço para praticar exercícios físicos.

A pandemia nos fez perceber o quanto as casas não foram pensadas para se trabalhar em regime home office. Porém, com muita criatividade, algumas empresas enviaram a seus colaboradores um kit office home, com cadeira ergonômica e computador.

Figura 1.5 - Home office
Fonte: Olena Kachmar / 123RF.

Fomos educados e ensinados a manter o foco, a saber o que queremos da vida, a sermos especialistas em algo. Quanto mais minuciosa for a especialidade, “melhor”. Mas, afinal, melhor para quem? Não estamos tirando o mérito dos especialistas, mas sabemos que até para essas pessoas a criatividade pode ser uma ótima ferramenta.

A metodologia para a criatividade é caminho, não técnica. Portanto, toda e qualquer metodologia que viermos a aprender é um caminho possível.

Indicação de leitura

Livro: Roube como um artista: o diário – um caderno de anotações para cleptomaníacos

Autor: Austin Kleon

Ano: 2013

Editora: Rocco

ISBN: 9788532528421

Comentário: Longe de ser um livro teórico, o autor nos remete aos tempos de infância, onde não há preocupação com as críticas de outras pessoas. O diário conta com vários exercícios práticos e mostra com humor como ser criativo nos tempos da era digital.

Considerações Finais

Caro(a) aluno(a), nesta unidade tivemos a oportunidade de entender por que a criatividade e a inovação são atualmente os skills mais requisitados no mundo corporativo. Ao longo do nosso estudo, vimos que as pessoas que têm mais “jogo de cintura” e criatividade nas pequenas coisas conseguem se adaptar melhor a realidades diferentes e transformadoras.

Além disso, compreendemos como estudar cientificamente um tema que até pouco tempo atrás era tratado como algo característico de pessoas ligadas às artes, não sendo estendido aos seres humanos ditos “normais”. Assim, consideramos atualmente o pensamento criativo uma metodologia, entendendo que a inovação nem sempre está ligada às tecnologias digitais.  

Analisamos sob diversos pontos de vista – neurológicos, artísticos, empreendedores e empresariais – como a cultura faz parte de nossos sentimentos e emoções. Por fim, estudamos que o cérebro e o coração podem andar de mãos dadas e aprendemos a utilizar técnicas para facilitar o uso da criatividade no dia a dia.    

Obrigada pela atenção!

Atividade

A criatividade, que sempre foi considerada uma habilidade no meio artístico, é hoje a soft skill mais buscada no mundo corporativo. Apesar disso, a criatividade deve ser enxergada também como uma hard skill.

Tendo em vista o enunciado, assinale a alternativa correta.

Se você deseja ingressar no mundo corporativo, pode desenvolver essa soft skill por meio de técnicas e metodologias.

Correta: Existem técnicas e metodologias voltadas ao desenvolvimento da criatividade, portanto, é possível aprendê-la.

A criatividade nasce com a pessoa. Se você nasceu sem essa soft skill, nem tente ingressar no mundo corporativo.

Incorreta: A criatividade pode ser aprendida por meio de metodologias comprovadas cientificamente.

Picasso, Charlie Chaplin e Lady Gaga, por exemplo, são artistas geniais e que desenvolveram a criatividade porque ela é um dom.

Incorreta: Qualquer pessoa pode desenvolver a criatividade, desde que esteja atenta e preparada para acioná-la.

Sabemos que a criatividade sempre andou de mãos dadas com a habilidade artística, pois é uma habilidade nata.

Incorreta: Qualquer pessoa pode desenvolver a criatividade, não apenas os artistas.

Os cursos de criatividade, em geral, existem apenas para atrair pessoas que querem ingressar no mundo corporativo.

Incorreta: Esses cursos são justamente para desenvolver técnicas de criatividade em toda e qualquer pessoa.

Atividade

A criatividade não deve ser reprimida por aquilo que os outros pensam ou pensarão sobre nós. Steve Jobs, fundador da Apple, não seria o que foi se tivesse medo do que os outros ponderariam sobre ele. Vários mitos são criados em torno da criatividade e podemos enumerar algumas barreiras que a limitam.  

Tendo em vista o enunciado, assinale a alternativa correta.

As sociedades tradicionais e hierárquicas apoiam e necessitam do estudo da criatividade.

Incorreta: Nas sociedades tradicionais não deve haver um pensamento criativo e inovador, pois assim existe a possibilidade de quebra de paradigmas.

As pessoas criativas são extravagantes, e a criatividade é um dom nato e dificilmente podemos desenvolvê-lo.

Incorreta: A extravagância de pessoas criativas é um mito, e a criatividade pode ser desenvolvida.

Para ser criativo, é necessário ser genial, assim como Picasso, Bethoven, Steve Jobs ou Tarantino.

Incorreta: Qualquer pessoa pode ser criativa. A genialidade pode acompanhar a criatividade, mas não é uma regra.

Não há preocupações com detalhes excessivos no processo de geração de novas ideias.

Correta: Durante o processo de geração de ideias, não devemos nos preocupar com detalhes excessivos, para não minguar a criatividade.

O medo de críticas é um fator de aceleração da criatividade. A pressão por bons resultados faz com que a criatividade seja maior.

Incorreta: Medo de críticas e pressões por bons resultados muitas vezes são negativas ao processo criativo.

Atividade

De acordo com Wapnick (2017), escritora adepta da multipotencialidade, em quase todas as línguas o popular ditado “quem faz muita coisa não faz nenhuma bem” tem suas versões, por exemplo: no inglês, “jack-of-all-trades, master of none”; no espanhol, “quién mucho abarca poco aprieta”; e assim por diante, o que denota a ideia de que é preciso dar pouco ou nenhum valor a quem é multipotencial.

WAPNICK, E. How to be everything: a guide for those who (still) don’t know what they want to be when they grow up. Califórnia: HarperOne Publisher, 2017.

Dessa maneira, podemos afirmar que:

As empresas tradicionais e hierárquicas dão preferência a pessoas com grande capacidade criativa.

Incorreta: As empresas contemporâneas com cunho de organização exponencial são as que dão preferência a pessoas com grande capacidade criativa.

O pensamento padronizado leva a pessoa a realizar questionamentos mais profundos, o que facilita o pensamento criativo.

Incorreta: É justamente dentro das sociedades conservadoras que o pensamento padronizado leva ao bloqueio da criatividade.

As sociedades conservadoras e hierárquicas ainda preferem que se opte por uma profissão com especialização.

Correta: A sociedade formal, tradicional, dá preferência a pessoas com formação única, sem liberdade ao pensamento criativo.

O pensamento criativo deve ser iniciado no mundo profissional, já que a escola deve lidar com a educação formal.

Incorreta: A escola pode e deve incitar o pensamento criativo, também por meio da educação formal.

Devemos nos acostumar ao formato das empresas tradicionais, pois são as que têm mais chances de ter sucesso.

Incorreta: Ao contrário, empresas com organizações exponenciais têm dez vezes mais chances de obter sucesso rapidamente.

Unidade Concluída

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